segunda-feira, 23 de março de 2020

2º colegial - Sociologia - A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo


11 - A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO

Vivendo em uma nação retardatária quanto ao desenvolvimento capitalista, Weber
procurou conhecer a fundo a essência do capitalismo moderno. Ao contrário de Marx, Weber
não considerava o capitalismo um sistema injusto, irracional e anárquico. Para ele, as
instituições produzidas pelo capitalismo, como uma grande empresa, constituíam clara
demonstração de uma organização racional que desenvolvia suas atividades dentro de um
padrão de precisão e eficiência. Exaltou em diversas oportunidades a formação histórica das
sociedades inglesa e norte-americana, ressaltando a figura do empresário, considerado às
vezes um verdadeiro revolucionário. De certa forma, o seu elogio a seu caráter antitradicional
do capitalismo inglês, especialmente do norte-americano, era a forma utilizada por ele para
atacar os aspectos retrógrados da sociedade alemã, principalmente os latifundiários
prussianos.
Em sua obra: “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Weber procurou
demonstrar que a formação do capitalismo europeu não seguiu apenas causalidades
econômicas como propôs Karl Marx em suas teorias estritamente economicistas. Para Weber,
as idéias religiosas e éticas foram de importância fundamental na formação do capitalismo,
buscou também esclarecer os caracteres específicos do capitalismo como um regime
econômico de grande desenvolvimento, principalmente nos países protestantes, especialmente
naqueles em que predominava o calvinismo. Para ele, não havia fundamento em admitir o
principio de que a economia dominasse as demais esferas da realidade social. Esse estudo o
levou a pesquisar também a história religiosa e social da Índia, da China e do povo judeu. O
resultado desse trabalho foi publicado em três volumes sob o titulo Estudos Reunidos sobre a
Sociologia das Religiões. Assim Weber fundou uma nova ramificação da sociologia que foi a:
Sociologia da religião.

 ATIVIDADE. Responda em seu caderno:

a) – Por que Max Weber discordava de Marx sobre o capitalismo?
b) – O que Weber buscou demonstrar em sua obra: A ética protestante e o espirito do
capitalismo”?
c) – Que ramificação da sociologia Weber fundou?

TIPO IDEAL

É o instrumento principal da compreensão. Corresponde a um processo que representa o
primeiro nível de generalização de conceitos absolutos e correspondendo as exigências lógicas
da prova, então intimamente ligados à realidade concreta e particular (de relações sociais).
Corresponde a um processo de conceituação que abstrai de fenômenos concretos o que
existe de particular, construindo assim um conceito individualizante ou como diz o próprio
Weber: “um conceito histórico concreto”.
É um procedimento metodológico que incorporam relações sociais abstratas,
características universais da ação social e conjuntura histórica definida.
O tipo ideal não deve ser aceito somente como generalizações, proposições, definições e
hipóteses.

AÇÃO E RELAÇÃO SOCIAL

A ação é definida por Weber como toda conduta humana (ato, omissão, permissão)
dotada de um significado dado por quem a executa e que orienta essa ação. Quando tal
orientação tem vista a ação – passada, presente, ou futura – de outro ou de outros agentes que
podem ser “individualizados e conhecidos ou uma pluralidade de indivíduos indeterminados e
completamente desconhecidos” – o público, a audiência de um programa, a família do agente
etc – a ação passa a ser definida como social. A ação é determinada pelas intenções,
motivações e expectativas de outros.
A relação social se refere à conduta de múltiplos agentes que se orientam
reciprocamente em conformidade com um conteúdo específico (conflito, hostilidade, amizade,
competição, atração sexual etc) do próprio sentido das suas ações. As relações sociais podem
ser de natureza transitória, assimétrica: quando não há o mesmo sentido subjetivo e se expõe
atitudes diferentes sem reciprocidade, mas mutuamente orientado à mesma expectativa;
simétrica: quando a relação corresponde em suas expectativas o mesmo significado para todos
envolvidos.

AÇÃO SOCIAL

Para Weber a sociologia é a ciência que procura uma compreensão interpretativa da ação
social para a partir daí chegar à explicação causal do seu sentido e dos seus efeitos.
Para Max Weber, a análise sociológica estará centrada nos atores e em suas ações. O
agente individual é a unidade da análise sociológica, a única entidade capaz de conferir
significado às suas ações. A sociedade não é algo exterior e superior aos indivíduos; a
sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais reciprocamente
referidas. Por isso, Weber define como objeto da sociologia a ação social, que é qualquer ação
que o individuo faz orientando-se pela ação de outros. Toda vez que se estabelecer uma
relação significativa, isto é, algum tipo de sentido entre várias ações sociais, terá então
relações sociais. Só existe ação social quando o individuo tenta estabelecer algum tipo de
comunicação a partir de suas ações com os demais. Nem toda ação, desse ponto de vista,
será social, mas apenas aquelas que impliquem alguma orientação significativa visando outros
indivíduos.

TIPOS DE AÇÃO SOCIAL

Weber afirma que podemos pensar em diferentes tipos de ação social, agrupando-os de
acordo com o modo pelo qual os indivíduos orientam suas ações. Assim ele estabelece quatro
tipos de ação social:
1º. Ação tradicional – que é determinada por um costume ou um hábito arraigado;
2º. Ação afetiva – aquela determinada por afetos ou estados sentimentais;
3º. Ação racional com relação a valores – determinada pela crença consciente num valor
considerado importante, independente do êxito desse valor na realidade;
4º. Ação racional com relação a fins – determinada pelo cálculo racional que coloca fins e
organiza os meios necessários.
Weber admite não existir ação pura todas são possíveis de misturas.

ATIVIDADE. Responda em seu caderno:

a) – O que é o tipo ideal e o que ele corresponde?
b) – O que é ação?
c) – O que é relação social?
d) – O que é sociologia para Weber?
e) – Em que está centrada a análise sociológica?
f) – Qual o objeto de estudo da sociologia segundo Weber?
g) – Quando existe ação social?
h) – Cite e explique os diferentes tipos de ação social.





2º colegial - Sociologia - Vida e Obra Max Weber


10 - VIDA E OBRA

Nascido em Erfut, a 21 de Abril de 1864, Max Weber tornou-se um dos sociólogos e
economistas político mais importante da Alemanha nos séculos XIX e XX. Max Weber foi um
dos mais importantes clássicos da sociologia, pois suas teorias contribuem até hoje para a
análise da vida social. Filho de uma abastada família de comerciantes formou-se em direito e
economia nas Universidades de Berlim e de Heidelberg respectivamente. Mais tarde trabalhou
como professor nas Universidades de Berlim (1893), Freiburg (1894), Heidelberg (1897), Viena
(1917). Pode-se afirmar que a vida de Max Weber foi totalmente dedicada aos estudos, à
pesquisa e à participação ativa na política alemã de seu tempo, principalmente mediante suas
intervenções em conferências, seus artigos para jornais e revistas e seus escritos publicados
em vida e postumamente. Max Weber é um pensador de tendência ideológica conservadora e
suas análises têm características histórico-comparativa. Entre suas principais obras podemos
destacar: A ética protestante e o espírito do capitalismo e Economia e sociedade.


ATIVIDADE. Responda em seu caderno:

a) – Quem foi Max Weber?
b) – Como foi a vida de Max Weber?
c) – Qual a tendência ideológica de Max Weber?
d) – Qual as características das análises teóricas de Weber?
e) – Quais as principais obras de Weber?

A METODOLOGIA E A NEUTRALIDADE CIENTÍFICA

A sua insistência em compreender as motivações das ações humanas levou-o a rejeitar a
proposta do positivismo de transferir para a sociologia a metodologia de investigação utilizada
pelas ciências naturais. Não havia, para ele, fundamento para esta resposta, uma vez que o
sociólogo não trabalha sobre uma matéria inerte, como acontece com as cientistas naturais.
Weber diz que o ponto chave de uma investigação sociológica é o individuo e sua ação, é a
compreensão da ação dos indivíduos e não a análise das “instituições sociais” ou “grupo social”
que vai nos permitir entender a sociedade. Para compreender as instituições temos que partir
das intenções e motivações dos indivíduos que vivenciam estas situações sociais.
Ao contrário do positivismo, que dava maior ênfase aos fatos, à realidade empírica,
transformando geralmente o pesquisador num mero registrador de informações, a metodologia
de Weber atribuía-lhe um papel ativo na elaboração do conhecimento.
A intenção de conferir à sociologia uma reputação científica encontra na figura de Max
Weber, um marco de referência. Durante toda a sua vida, insistiu em estabelecer uma clara
distinção entre o conhecimento científico, fruto de cuidadosa investigação, e os julgamentos de
valor sobre a realidade. Com isso, desejava assinalar que um cientista não tinha o direito de
possuir, a partir de sua profissão, preferência políticas e ideológicas. No entanto, julgava ele,
sendo todo cientista também um cidadão, poderia ele assumir posições apaixonadas em face
dos problemas econômicos e políticos, mas jamais deveria defende-los a partir de sua
atividade profissional. Essa posição de Weber, que tantas discussões têm provocado entre os
cientistas sociais, constitui, ao isolar a sociologia dos movimentos revolucionários, um dos
momentos decisivos da profissionalização dessa disciplina. A idéia de uma ciência social
neutra seria um argumento útil e fascinante para aqueles que viviam e iriam viver da sociologia
como profissão. Ela abria a possibilidade de conceber a sociologia como um conjunto de
técnicas neutras que poderiam ser oferecidas a qualquer comprador público ou privado. Vários
estudiosos da formação da sociologia têm assinalado, no entanto, que a neutralidade
defendida por Weber foi um recurso utilizado por ele na luta pela liberdade intelectual, uma
forma de manter a autonomia da sociologia em face da burocracia e do Estado alemão da
época.


CIENTISTA x POLÍTICO

A busca de uma neutralidade científica levou Weber a estabelecer uma rigorosa fronteira
entre o cientista, homem do saber, das análises frias e penetrantes; e o político, homem de
ação e de decisão comprometido com questões práticas da vida. O que a ciência tem a
oferecer a esse homem de ação, segundo Weber, é um entendimento claro de sua conduta,
das motivações e das consequências de seus atos.
A sociologia por ele desenvolvida considerava o indivíduo e sua ação como ponto chave
da investigação. Com isso, ele queria salientar que o verdadeiro ponto de partida da sociologia
era a compreensão da ação dos indivíduos e não a análise das “instituições sociais” ou de
“grupos sociais”, tão enfatizadas pelo pensamento conservador. Com essa posição, não tinha a
intenção de negar a existência ou a importância dos fenômenos sociais, como o Estado, a
empresa capitalista, a sociedade anônima, mas tão somente a de ressaltar a necessidade de
compreender as intenções e motivações dos indivíduos que vivenciam estas situações sociais.
A ciência não pode propor fins a ação prática: “uma ciência empírica não está apta a
ensinar a ninguém aquilo que ‘deve’, mas, sim, apenas aquilo que ‘pode’ – em certas
circunstâncias – aquilo que ‘quer fazer’”. O domínio da ciência empírica deve ser definida como
o dos meios e não como o dos fins.

ATIVIDADE. Responda em seu caderno:
a) – Segundo Weber, qual é ponto chave de uma investigação sociológica?
b) – Por que Weber foi importante para a reputação científica da sociologia?
c) – Por que Weber diferencia o cientista do político?
d) – O que Weber quis salientar ao dizer que o ponto chave da investigação é o individuo e sua
ação?
e) – Por que Weber afirma que a ciência não pode propor fins a ação prática?


3º colegial - História - O Movimento Nazi-Fascista


O MOVIMENTO NAZI-FASCISTA

Apregoando um intenso fervor nacionalista, o movimento fascista (do latim fascio = feixe), surgido em 1919, logo após o findar da Primeira Guerra Mundial, transformou-se num fenômeno político internacional. Tendo seu epicentro na Itália, mergulhada em profunda crise socio-política, dali o fascismo, tornado-se hegemônico sobre os demais partidos da ultra-direita, expandiu-se, com maior ou
menor  presença, por quase todo o mundo. No entanto, em cada lugar em que se organizou assumiu uma denominação, um líder é uma simbologia própria, que diferia das demais agremiações da mesma ideologia.

A MILITARIZAÇÃO DA POLÍTICA

Nó início os seus militantes e principais quadros partidários foram largamente preenchidos por ex-combatentes, por veteranos da Primeira Guerra Mundial, que se sentiram frustrados, excluídos, quando não traídos pelos governos do após-guerra.
Dai entender-se que tanto os chefes do movimento nazi-fascista (como Hitler e Mussolini) como seus seguidores mais próximos serem oriundos das trincheiras, e que, mesmo na paz, continuavam usando uniforme e celebrando a vida de soldados.
Comportavam-se eles como se ainda estivesse entre seus camaradas no fronte de guerra. O fascismo foi, portanto, uma militarização da política, a transposição para a vida civil dos hábitos e costumes adquiridos por uma geração inteira de europeus que passaram quatro anos da sua existência condicionados pela brutal experiência de uma guerra terrível.   
Essa experiência militar deles fez com que os partidos fascistas não somente usassem uniforme e obedecessem ao seu chefe do mesmo modo que os soldados seguem o seu general, como entendessem a política como um campo de batalha, na qual seus adversários não era vistos como rivais num quadro eleitoral, mas sim inimigos a serem encarcerados ou eliminados no futuro. A militarização da vida política, com o partido organizado como fosse um regimento do exército, disciplinado e obediente à
uma hierarquia, teve como conseqüência a determinação deles de submeterem a sociedade civil por inteiro as regras militares. O que conduziu a que levassem a quartelização da sociedade por inteiro. Entendiam que travavam agora, finda a guerra, uma batalha para salvar a pátria, a sua pátria, ameaçada pela subversão comunista (inspirada na revolução bolchevique que ocorria, desde 1917, na Rússia), e pela debilidade da democracia liberal, incapaz de concentrar a energia necessária para retirar a nação da profunda crise econômica e moral com que saíra da guerra.

DIFUSÃO PELO MUNDO

As ruas de Roma, de Munique, de Berlim, de Madri e até do Rio de Janeiro, enchiam-se de desfiles cívicos de militantes que marchavam, embandeirados, aos sons marciais, enaltecendo o nacionalismo e os valores pátrios que, segundo os fascistas, foram esquecidos ou abertamente traídos no período do pós-guerra. Cada organização fascista tinha o seu símbolo, sua cor seu líder absoluto: um chefe, um duce, um führer um caudilho, um chefe, que comandava seus homens como um general em tempo de guerra, e a quem seus seguidores devotavam verdadeira idolatria, considerando-o uma espécie de salva-pátria. Obviamente que os fascistas detestavam a democracia.

OBJETIVOS POLÍTICOS E RACIAIS

Tinham os nazi-fascistas como objetivo maior, deter a subversão social representada pelo comunismo. O nazi-fascismo transformou o bolchevismo no seu inimigo de morte os comunistas não-soviéticos eram vistos como meros agentes a serviço do domínio mundial daquela potência. Pode-se dizer que o fascismo assumiu - uma conotação mais radical exatamente nos países ou nas sociedades que se sentiam mais vulneráveis a uma revolução comunista. Naquelas em que a hierarquia social, os valores tradicionais e o
ordenamento das classes, estavam mais sujeitos a serem derrubados. E onde, no. passado recente, a frustração ou a humilhação nacional sofrida na guerra ainda não fora esquecida.
O nazismo, a vertente alemã do fascismo, elegeu ainda, como seu pior adversário, além dos já citados comunistas, os judeus. Seguidores da tradição anti-semita européia, atribuíam a eles todas as desgraças e vexações porque, a Alemanha passara (a direita alemã debitou à derrota de 1918 aos comunistas e aos judeus que teriam dado “uma punhalada nas costas” do país). O violento anti-semitismo dele e sua política de defesa da eugenia - a obsessão pela pureza racial do homem ariano fez com que os nazistas terminassem por ordenar, entre 1939-45, o maior massacre de seres humanos até hoje registrado na história: o holocausto de todos os judeus europeus e o extermínio de todos aqueles que, segundo eles, “levavam uma vida indigna de ser vivida” (os loucos, menores excepcionais, portadores de males genéticos, idosos senis, etc.).

A ARTE DA PROPAGANDA

Divulgar ao máximo os ideais do nazismo. Essa foi uma das principais estratégias de Hitler para atingir o poder. Em Minha luta, ele já abordava a questão da propaganda, que, para ele, deveria ser popular e emotiva. Ele desenvolveu uma “teoria da oratória” segundo a qual tudo (os gestos, a voz, o local) tinha de ser preparado com cuidado para emocionar o povo.
As massas, segundo Hitler, eram incapazes de muita compreensão. Por isso, um discurso deveria conter uma ou duas idéias, as quais deveriam ser explicadas sob as mais variadas formas até a plena compreensão dos ouvintes. Deveria também ser curto, para não cansar. Por último, deveria ser maniqueísta, opondo o bem ao mal, pois assim era a visão das massas.
Dessa forma, nos discursos e na propaganda, não era necessário estabelecer diferenças entre socialistas, liberais, social-democratas e comunistas. Dizia-se que todos eram inimigos da Alemanha, representavam o mal e deveriam ser combatidos.
Joseph Goebbels, ministro da Propaganda a partir de 1933, foi um dos mais úteis colaboradores de Hitler. Na verdade, os nazistas elaboraram uma síntese cuidadosa de todas as técnicas de manipulação de opinião até então existentes, utilizando-se de recursos da ciência, da religião e da arte.
As fontes eram variadíssimas: da ancestral mitologia germânica até elementos litúrgicos do catolicismo, incluindo o estudo da psicologia de massas e as técnicas de agitação comunistas. Enfim, procurava-se condicionar homens e mulheres, de modo a transformá-los em autômatos do Estado. Mais do que isso, tentava-se criar indivíduos integrados a um projeto muito maior do que eles, a um Estado forte, poderoso e controlador de todos os atos, individuais ou coletivos.
Desse modo, os cidadãos alemães se sentiam participando do processo de recuperação do país, além de protegidos e irmanados numa mesma luta, pelos mesmos ideais. O cidadão mais humilde podia se sentir parte de um bloco útil, indestrutível e coeso.
Os comícios espetaculares eram realizados preferencialmente no início da noite. Um mar de bandeiras, jogos de archotes, musicas envolventes e canhões de luzes (como nos shows dos dias de hoje) hipnotizavam os seguidores do Fuhrer.
Ele chegava, discursava, levava a multidão à histeria e desaparecia, pois o mito não deveria permanecer por muito tempo no mundo dos simples mortais. Nas manifestações diurnas, Hitler chegava de avião, como se fosse um deus pousando entre os seus seguidores.

A IDEOLOGIA NAZISTA

A ideologia nazista — vista em seus termos mais gerais — se baseava no conceito de nação. Ela rejeitava a sociedade liberal e a democracia, que gerariam divisões internas e o enfraquecimento
dessa nação. Para que tal enfraquecimento da coletividade não ocorresse, seria fundamental a existência de um Estado forte, capaz de fazer prevalecer os interesses coletivos sobre os individuais. Tal Estado se encarnaria num grande líder, ser infalível e perfeito, que se comunicaria com o povo por meio do partido único, o Partido Nazista. Este deveria enquadrar hierarquicamente a sociedade, pois o poder e as ordens deveriam vir sempre de cima, emanando, em princípio, da figura do líder. Ele seria, dessa forma, a encarnação do todo coletivo, ao qual cada indivíduo deveria submissão e obediência cega.
O que se disse anteriormente aplica-se, em princípio, aos diferentes fascismos (italiano, francês, espanhol, etc.). O nazismo acrescentou a essa base geral dois elementos que vão dar a ele um caráter
bastante diferenciado em relação aos demais movimentos: o racismo e o anti-semitismo.
Na visão nazista de mundo, a base de todas as coisas era a luta pela vida. Nessa luta, a raça mais forte estava destinada a vencer e superar as outras. O que, porém, determinava a maior ou menor força de uma raça? Não seria o número nem a engenhosidade, mas sim a pureza.
Hitler e seus seguidores identificavam na Alemanha pré-nazista uma raça em decadência, devido à mistura com etnias inferiores e à entrada de ideologias estrangeiras — como o liberalismo e o marxismo —, que enfraqueciam a cultura germânica. Para salvar a Alemanha do abismo, o nazismo se propunha a depurá-la e a purifica-la, recuperando a força da antiga raça branca pura, a “raça ariana”,
da qual os alemães seriam os grandes herdeiros.
Após essa recuperação, a nação e a raça alemãs estariam novamente fortes e poderiam iniciar a sua grande obra: o domínio das raças inferiores da Europa e talvez do mundo todo, iniciando a era da civilização ariana.
Em resumo, a ideologia nazista se baseava na luta racial, no culto à força e ao poder, na submissão do indivíduo ao Estado, na primazia do emocional sobre o racional. O que dava coerência às teorias nazistas, contudo, era um outro aspecto de sua ideologia, talvez o mais conhecido: o anti-semitismo.
O nazismo tinha, de fato, uma concepção delirante: se os arianos representavam a luz do mundo, os judeus simbolizavam o mal.
Dificil de ser comprovada, essa visão animava Hitler e seus adeptos: todo o mal do mundo se originaria dos judeus. Eles seriam responsáveis pelas ideologias antiarianas, como o liberalismo e o comunismo, além de haver causado a derrota alemã na Primeira Guerra e contaminado a raça branca. A sobrevivência dessa raça dependeria da derrota dos judeus. Como se pode ver no filme A lista de Schindler (dirigido por Steven Spielberg em 1993) e em documentários da época, esse anti-semitismo foi levado a extremos horripilantes, como o massacre programado dos campos de extermínio.
Foi a partir dessa doutrina que o nazismo pretendeu criar um “novo homem” alemão, uma nova Alemanha e uma renovada e superior raça dominante. Isso nos leva ao mundo da cultura nazista.


O “NOVO HOMEM” NAZISTA

O novo homem nazista era um indivíduo que deveria diferir de todos os que o antecederam e representar o melhor da raça germânica. Para conhecer como foi levada a cabo a tentativa de cria-lo, talvez o melhor caminho seja o estudo das instituições em que o nazismo acreditava estarem seus melhores representantes: as tropas de choque AS e SS.
Nascidas com o nazismo para os combates de rua contra os inimigos do partido, as AS sempre constituíram modelo de força, agressividade, heroísmo e camaradagem. Dentro de suas fileiras, o homem encontraria disciplinam, companheiros fiéis e um espírito de sacrifício que daria sentido a sua vida. Individualmente, os milicianos AS nada valiam, mas coletivamente representavam, até seu colapso em 1934, o que deveria ser o homem nazista.
As SS sofisticaram ainda mais esse papel de força de elite do nazismo. Seu milicianos cultivavam uma mística de grupo especial, escolhido por Deus para servir à “raça ariana” e à Alemanha. Assim como os AS, eles valorizavam a lealdade e a bravura, o espírito de sacrifício, a obediência cega e automática ao chefe. Considerado a elite da elite ariana, deveriam cumprir todas as tarefas que lhes fossem confiadas, ainda que isso implica-se – como de fato implicou – a morte de milhões de pessoas.
Outros aspectos da civilização nazista poderiam ser abordados, como a criação de uma “ciência ariana” que deveria introduzir a ideologia nazista em todos os campos do conhecimento, ou a idealização da vida rural, na qual os camponeses eram visto, miticamente, como a reserva moral da raça alemã. Seriam pontos interessantes, mas gostaríamos de chamar a atenção do leitos para outro aspecto do nazismo. Nas páginas anteriores, fizemos alusão ao “novo homem” nazista. A palavra “homem” utilizada aqui não é sinônimo de espécie humana, mas se refere apenas ao macho da espécie, ao homem, ao gênero masculino. E as mulheres?
Toda a cultura e a arte nazista eram projetadas para dignificar a mulher, mas apenas um tipo especial de mulher: a mãe, a reprodutora. Em quadros, filmes e livros, a imagem é sempre a mesma: mulheres loiras, quase sempre camponesas, com todos os atributos da beleza e da feminilidade, voltadas sempre para o que o regime considerava a missão das nazistas: cuidar do lar e da casa para o marido envolvido no mundo do trabalho e da guerra e providenciar o nascimento contínuo de arianos para substituir os caídos em combate. Leis, condecorações, prêmios, tudo foi usado para convencer a mulher alemã de seu destino e de seu dever: colaborar, com filhos, para a política demográfica do regime e, assim, dar o seu quinhão para a glória e a sobrevivência da “raça ariana”.
Os arianos: denominação “ariano” tradicionalmente se refere aos antigos povos que teriam formado a população da Europa, de parte da Índia e da antiga Pérsia e que, até hoje, falariam línguas aparentadas. Na mitologia nazista, contudo, a idéia era a de que os arianos seriam os fundadores da raça branca e uma das obsessões da ciência do regime era determinar justamente o ponto exato de seu surgimento.



EXERCÍCIOS


1-      O que apregoava o nazi-fascista?
2-      Quem eram no inicio os militantes do partido nazi-fascista?
3-      Como se coportavam os militantes do partido nazi-fascista?
4-      Qual era o objetivo maior do partido nazi-fascista?
5-      Qual era o outro objetivo da vertente alemã?
6-      Qual era a estratégia de Hitler quanto a propaganda?
7-      Fale sobre a teoria da oratória.
8-      O que pensava Hitler sobre as massas?
9-      Como eram os comícios?
10-   Fale sobre a ideologia nazista.
11-  Qual era a visão nazista de mundo?
12-   Como era o novo homem nazista?
13-   Como surgiu a AS e a SS?
14-   Qual o papel da mulher na sociedade nazista?
15-  Qual era a denominação de ariano?


3º colegial - História - Quebra da Bolsa de Valores de Nova Yorque


QUEBRA DA BOLSA DE VALORES DE NOVA YORQUE

Após a primeira guerra mundial (1918), os EUA eram o país mais rico do planeta. Além das fábricas de automóveis, os EUA também eram os maiores produtores de aço, comida enlatada, máquinas, petróleo, carvão….
Nos 10 anos seguintes, a economia norte-americana continuava crescendo causando euforia entre os empresários. Foi nessa época que surgiu a famosa expressão “American Way of Life” (Modo de Vida Americano). O mundo invejava o estilo de vida dos americanos.
A década de 20 ficou conhecida como os “Loucos Anos 20”. O consumo aumentou, a indústria criava, a todo instante, bens de consumo, clubes e boates viviam cheios e o cinema tornou-se uma grande diversão.
Os anos 20 foram realmente uma grande festa! Nessa época, as ações estavam valorizadas por causa da euforia econômica. Esse crescimento econômico (também conhecido como o “Grande Boom”) era artificial e aparente, portanto logo se desfez.
De 1920 até 1929, os americanos iludidos com essa prosperidade aparente, compraram várias ações em diversas empresas, até que no dia 24 de outubro de 1929, começou a pior crise econômica da história do capitalismo.
Vários fatores causaram essa crise:
- Superprodução agrícola: formou-se um excedente de produção agrícola nos EUA, principalmente de trigo, que não encontrava comprador, interna ou externamente.
- Diminuição do consumo: a indústria americana cresceu muito; porém, o poder aquisitivo da população não acompanhava esse crescimento. Aumentava o número de indústrias e diminuía o de compradores. Em pouco tempo, várias delas faliram.
- Livre Mercado: cada empresário fazia o que queria e ninguém se metia.
- Quebra da Bolsa de Nova York: de 1920 a 1929, os americanos compraram ações de diversas empresas. De repente o valor das ações começaram a cair. Os investidores quiseram vender as ações, mas ninguém queria comprar. Esse quadro desastroso culminou na famosa “Quinta-Feira Negra” (24/10/1929 – dia que a Bolsa sofreu a maior baixa da história).
Se o valor das ações de uma empresa está desabando, o empresário tem medo de investir capital nessa empresa. Se ele investe menos, produzirá menos; se produz menos, então, não há motivo para tantos empregados, o que levará o empresário a demitir o pessoal.
Muitos empresários não sobreviveram à crise e foram à falência, assim como vários bancos que emprestaram dinheiro não receberam de volta o empréstimo e faliram também.
A quebra da bolsa trouxe medo, desemprego e falência. Milionários descobriram, de uma hora para outra, que não tinham mais nada e por causa disso alguns se suicidaram. O número de mendigos aumentou.
A quebra da bolsa afetou o mundo inteiro, pois a economia norte-americana era a alavanca do capitalismo mundial. Para termos uma idéia, logo após a quebra da bolsa de Nova York, as bolsas de Londres, Berlin e Tóquio também quebraram.
A crise fez com que os EUA importassem menos de outros países, como conseqüência os outros países que exportavam para os EUA, agora estavam com as mercadorias encalhadas e, automaticamente, entravam na crise.
Em 1930, a crise se agravou. Em 1933, Roosevelt foi eleito presidente dos EUA e elaborou um plano chamado New Deal. O Estado passou a vigiar o mercado, disciplinando os empresários, corrigindo os investimentos arriscados e fiscalizando as especulações nas bolsas de valores.
Outra medida foi a criação de um programa de obras públicas. O governo americano criou empresas estatais e construiu estradas, praças, canais de irrigação, escolas, aeroportos, portos e habitações populares. Com isso, as fábricas voltaram a produzir e vender suas mercadorias. O desemprego também diminuiu. Além disso, o New Deal criou leis sociais que protegiam os trabalhadores e os desempregados.
Para acabar com a superprodução, o governo aplicava medidas radicais que não foram aceitas por muitas pessoas: comprava e queimava estoques de cereais, ou então, pagava aos agricultores para que não produzissem.
O New Deal alcançou bons resultados para a economia norte-americana.
Essa terrível crise que atravessou a década ficou conhecida como Grande Depressão.
Os efeitos econômicos da depressão de 30 só foram superados com o inicio da Segunda Guerra Mundial, quando o Estado tomou conta de fato sobre a economia ajudando a ampliar as exportações. A guerra foi então, uma saída natural para a crise do sistema capitalista.
Na década de 30, ocorreu a chamada “Política de Agressão (dos regimes totalitários – Alemanha, Itália e Japão) e Apaziguamento das Democracias Liberais (Inglaterra e França)”.
A política de agressão culminou em 1939 quando a Alemanha nazista invadiu a Polônia dando por iniciada a Segunda Grande Guerra.

EXERCICIOS
1-      O que aconteceu de 1920 a 1929?
2-      Quais os fatores que causaram a crise?
3-      Por que a década de 20 ficou conhecida como os Loucos anos 20?
4-      O que foi a 5ª feira Negra?
5-      O que levou os empresários a demitir os seus funcionários nesse período?
6-      Por que a queda da bolsa de Valores Americana afetou o mundo inteiro?
7-      O que é New Deal?
8-      O que o governo fez com a superprodução?
9-      Como foram superados os efeitos da depressão de 30?